Capela do Espírito Santo dos Mareantes
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[editar] Localização
Na freguesia de Santiago (Sesimbra), concelho de Sesimbra. À rua Cândido dos Reis, nº 17.
[editar] A Casa do Espírito Santo
A Casa do Espírito Santo, com sua capela e hospital.
A Capela e o Hospital do Espírito Santo dos Mareantes de Sesimbra , edificada nos finais do século XV, destinava-se a prestar assistência de caridade e auxílio aos mareantes de Sesimbra. E pertencia à Confraria do Espírito Santo de Sesimbra. Construída nos finais de 1400 , junto à antiga ribeira de Sesimbra, ribeira que fazia a ligação desde o Castelo de Sesimbra até ao mar.
Livros a consultar sobre a Capela e Hospital mediaval, estão disponíveis no local, hoje transformado em museu municipal.
[editar] Hospital
Da primitiva capela e hospital do Espírito Santo dos Mareantes, edificada no final do século XV pela confraria com o mesmo nome e da qual faziam parte pescadores e mareantes, restam apenas alguns vestígios. Eles permitem-nos, no entanto, traçar, em linhas gerais, a história desta instituição e do imóvel que se lhe encontra associado, o qual resulta das profundas alterações arquitectónicas e estruturais de que foi alvo, no século XVIII. No contexto assistencial que antecedeu a criação e difusão das Misericórdias, cabia às albergarias e hospícios a protecção dos mais desfavorecidos. No caso de Sesimbra, a fundação da capela e hospital do Espírito Santo dos Mareantes ficou a dever-se a uma das mais antigas corporações de pescadores do nosso país (SERRÃO, SERRÃO, 1997, p. 41). O primitivo imóvel, situado na nova área de expansão da então Ribeira de Sesimbra (afastando-se do núcleo fortificado e desenvolvido em torno da igreja de Santa Maria do Castelo) consignava a existência de uma capela e, no piso inferior, do referido hospício. As Visitações efectuadas ao local pelos freires da Ordem de Santiago, no decorrer do século XVI (1516, 1527, 1553, 1564, 1570), permitem reconstituir a capela, que apresentava paredes de cal revestidas a madeira, um altar da invocação do Espírito Santo, grades de pau pintadas, quatro janelas, e uma porta, que equivaliam às seguintes dimensões: 15 varas de comprimento e 7 de largura (IDEM). No piso inferior, encontravam-se as camas para os pobres e doentes. Numa outra Visitação, de 1553, descrevem-se as pinturas do retábulo que, como veremos, se conservaram até à actualidade. Por outro lado, e como tem vindo a ser destacado pelos diversos investigadores, as Visitações revelam dados importantes no que diz respeito ao importante poder sócio-económico da Confraria, com uma quantidade de bens considerável, e ainda com um significativo conjunto de obras de arte (IDEM). O século XVIII veio introduzir profundas alterações ao esquema vigente, que a documentação deixa adivinhar serem apenas uma consequência se situações que se arrastavam há já algum tempo. Assim, é novamente uma Visitação, desta feita com data de 1739, que indica a utilização como estrebaria do antigo hospício, ordenando que se acabe com esta prática e se encha o espaço com pedra (IDEM, p. 42). A fachada, considerada como uma obra de um "barroquismo severo" (IDEM, p. 40), não se deverá afastar muito desta data, tal como o altar-mor, de talha dourada que se encontrava no interior e do qual subsistem duas colunas salomónicas, guardadas no Museu Arqueológico de Sesimbra. Assim, percebemos que a capela foi alvo de uma actualização estética na primeira metade do século XVIII, que inutilizou definitivamente o hospício. Este acabou, no entanto, por chegar aos nossos dias, tendo sido descoberta a sua estrutura primitiva aquando de uma campanha de escavações arqueológicas levadas a cabo entre 1979 e 1981. Na realidade, a comparação entre os achados e as Visitações do início do século XVI são correspondentes, o que permitiu reconstituir "pela primeira vez entre nós, o quadro de uma albergaria portuguesa dos finais da Idade Média" (IDEM, p. 42; FRANCO, SERRÃO, 1985). Nas paredes detectaram-se curiosos desenhos de navios, a negro. Por outro lado, as duas tábuas maneiristas representando a Adoração dos Pastores e a Adoração dos Magos vieram revelar, através de radiografias efectuadas no antigo Instituto José de Figueiredo, que as originais ainda se conservavam sob esta camada pictórica. Assim, Nossa Senhora do Rosário e o Pentecostes subjacentes correspondem às temáticas descritas na Visitação de 1553 (CRUZ, 1996, pp. 83-103). Tendo-se optado por recuperar as pinturas originais, estas vieram a ser atribuídas à oficina do pintor régio Gregório Lopes. Actualmente, a capela espera pela concretização do projecto de revalorização. (RCarvalho)