Júpiter Maçã
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Júpiter Maçã/Apple é o nome artístico de Flávio Basso, ex-Cascavelletes.
Seu primeiro disco solo, A Sétima Efervescência (1997), é calcado nos moldes de The Piper At The Gates Of Down, do Pink Floyd, com psicodelia e experimentação (e, por um leve momento, um prenúncio de sua obra ulterior, o final de "Sociedades Humanóides Fantásticas", uma bossa-nova psicodélica). As músicas desse disco são referência obrigatória ao se falar em rock brasileiro, principalmente o composto no Rio Grande do Sul. Contém pérolas do imaginário underground, como "Um Lugar do Caralho"(regravada por Wander Wildner) e "As Tortas e as Cucas".
Após experimentar um grande sucesso com o lançamento desse disco, torna-se Jupiter Apple, compõe em inglês, e decide misturar bossa-nova e vanguarda. Muitos fãs não o entenderam, preferindo a psicodelia "simples" d'A Sétima. Essa mistura inusitada está muito bem feita no seu segundo disco, Plastic Soda (1999). Ele começa com uma música de 9 minutos ("A Lad And A Maid In The Bloom), que define o caráter inovador do disco.
Em 2001 é lançado Hisscivilization, o disco mais ambicioso (talvez incompreendido) de Jupiter Apple. Longas experimentações eletrônicas (destaque para "The Homeless And The Jet Boots Boy"), bossas elétricas e lounge, valsa, cítaras e MOOGs, condensados em momentos, ora de leveza, ora de paranóia. É seu disco mais hermético: se, para os que estavam acostumados com o Rock and Roll dos Cascavelletes, a Sétima Esfervescência já era algo inesperado (psicodelia em doses cavalares), a reação causada pelos dois discos da fase Apple são algo,"de outro mundo". É preciso perder certos preconceitos ao escutá-lo, tanto pelos seus fãs roqueiros, quanto para um eventual bossa-novista que o escuta de passagem ou um improvável raver perdido entre tanta mistura.
Em 2006 era esperado o lançamento do disco "Uma Tarde Na Fruteira": nele, o Apple volta a ser Maçã, mas continua explorando o lado brasileiro e experimental, com músicas já eternizadas no subconsciente do underground porto-alegrense, como "A Marchinha Psicótica De Dr. Soup". Esse (ainda) não-lançado disco pode ser considerado o melhor do autor, pois é acessível e serve de cartão de visitas para o restante de sua obra. De certa forma, tudo que já foi composto pelo Júpiter está resumido neste disco: desde canções mod sessentistas, levezas jazz, baladas domingueiras e bob-dylanescas, concretismos e timbres eletrônicos.