Muralhas de Viseu
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Muralhas de Viseu, Portugal: Porta dos Cavaleiros | ||
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Conservação | ||
Homologação (IPPAR) |
MN
(DL 2.165 de 31 de Dezembro de 1915.)
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Aberto ao público |
As Muralhas de Viseu localizam-se na cidade de mesmo nome, Freguesia de Santa Maria de Viseu, Concelho e Distrito de Viseu, em Portugal.
Em posição dominante sobre uma colina na confluência do rio Pavia com o rio Dão (subafluentes do rio Mondego), a fortificação da cidade é muito antiga, não tendo se constituído num castelo própriamente dito.
Índice |
[editar] História
[editar] Antecedentes
A primitiva ocupação humana do sítio de Viseu remonta a um castro pré-histórico, admitindo-se que nesta região tenha nascido o Lusitano Viriato (180 a.C. - 139 a.C.). No ano 137 a.C. foi conquistada pelo cônsul Decius Junius Brutus, vindo o povoado a ganhar expressão quando, à época da Romanização da península, aqui se estabeleceu um entroncamento de estradas romanas, conforme o testemunham os diversos marcos miliários encontrados na região. Os romanos teriam erguido uma muralha para a defesa da povoação. Posteriormente, com o domínio dos Visigodos a partir do século VI, Viseu foi elevada a cidade, tornando-se sede de Diocese, aqui tendo sido cunhado moeda visigótica, no século VII.
Com o domínio muçulmano do Al-Andalus, a partir do início do século seguinte, a cidade foi conhecida como Castro Vesense (vesi = visigodo), mantendo-se fortificada.
[editar] O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península, a cidade foi conquistada ainda em meados do século VIII pelas forças de Afonso I das Astúrias, que a deixou abandonada, visando evitar que a mesma pudesse vir a servir de apoio a novas investidas muçulmanas.
Reocupada, nos séculos seguintes a sua posse oscilaria entre muçulmanos e cristãos, aos sabor dos avanços e recuos da linha da fronteira, até ser definitivamente reconquistada pelas forças de Fernando Magno, rei de Leão e Castela (1057).
Com a formação do Condado Portucalense, Viseu foi, em diversas ocasiões, residência dos condes. Após a morte do marido, D. Teresa concede o primeiro foral a Viseu (1123). Um novo foral, aludindo a idêntico diploma passado anteriormente por D. Afonso Henriques (1112-1185), será passado em 1187 por D. Sancho I (1185-1211) e confirmado por D. Afonso II (1211-1223), em 1217. Neste foral de D. Sancho II faz-se ainda referência à “cidade velha”, por oposição a um novo núcleo expandido demográfica e econômicamente.
Sob o reinado de D. Fernando (1367-1383), a Carta Régia de 5 de Janeiro de 1370, inteira-nos que o castelo de Viseu foi entregue aos moradores, compreendo-se pela expressão “castelo” o conjunto muralhado que envolvia a primitiva Sé e a parte antiga da cidade. Esse entendimento é corroborado quando, poucos anos mais tarde, durante a crise de 1383-1385, a cidade foi saqueada e incendiada pelas tropas de Castela (1385), relatando o cronista:
- Então se fizeram prestes aqueles quatrocentos de cavalo e duzentos ginetes de que era capitão aquele Pêro Soares de Quinhones, e com ele soma de homens de pé e alguns besteiros; e entraram em Portugal e encaminharam por essas aldeias roubando e cativando. E chegaram à cidade de Viseu, que eram vinte e duas léguas de Cidade Rodrigo, donde todos haviam partido. Os moradores do lugar, quando os viram vir, porque a cidade não tem outra cerca nem fortaleza, salvo a Sé, colheram-se a ela; e as igrejas muitos deles. (Fernão Lopes. Crónica de D. João I).
A cidade, vítima em quatro ocasiões das guerras fernandinas na segunda metade do século XIV, foi novamente atacada e incendiada por tropas castelhanas em 1396. À época de D. João I (1385-1433) encontravam-se em progresso trabalhos de ampliação da cerca defensiva, concluídos apenas em 1472 sob o reinado de D. Afonso V (1438-1481), conforme inscrição epigráfica na Porta do Soar, já com a malha urbana expandindo-se extra-muros.
Na seqüência da conquista de Ceuta, os domínios de Viseu foram doados em 1415 ao Infante D. Henrique, na ocasião elevados à condição de ducado. Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a cidade recebeu o Foral Novo (1513), época em que se inicia a expansão da malha urbana para o chamado Rossio.
[editar] Do século XVI aos nossos dias
Embora não hajam elementos que permitam compreender adequadamente as etapas de destruição das muralhas de Viseu iniciada a partir do século XVI com os trabalhos de ampliação do antigo Paço Episcopal, existiram trabalhos de construção posteriores, como o atestam a inscrição epigráfica na Porta dos Cavaleiros, datada de 1646.
Em meados do século XIX, a Câmara Municipal ordenou a demolição das antigas portas (1844) visando a modernização da cidade. Neste período, é erguido o edifício da Câmara Municipal, no Rossio, confirmando a transferência do centro da cidade, anteriormente na parte alta.
As muralhas e portas antigas da cidade de Viseu encontram-se classificadas como Monumento Nacional por Decreto publicado em 31 de Dezembro de 1915.
[editar] Características
Embora não se conheça adequadamente a evolução do sistema defensivo de Viseu pela própria dinâmica da evolução da malha urbana da cidade ao longo dos séculos, sob a Dinastia de Avis foi edificada uma cerca de planta poligonal irregular.
A inscrição epigráfica na Porta do Soar (ou Porta de São Francisco), datada de 1472, permite-nos compreender que D. Afonso V foi o responsável pela reformulação da estrutura defensiva da cidade, integrando a cerca erguida sob o seu reinado as duas cercas mais antigas.
Dessa cerca afonsina, onde se rasgavam originalmente sete portas, são testemunhos a Porta dos Cavaleiros e a Porta do Soar, além de escassos troços de muralha que chegaram até nós. Nenhuma das torres originais sobreviveu.
A Porta do Soar em arco ogival, com um pequeno troço de muralha adossado, assinala o eixo principal de circulação da antiga cidade. No interior da porta, inscreve-se um pequeno nicho que ainda conserva a imagem de São Francisco, santo tutelar da porta, conforme prática usual nas principais entradas das fortalezas tardo-medievais.
[editar] A lenda de D. Ramiro
O brasão de armas da cidade de Viseu evoca uma antiga lenda segundo a qual aqui teria vivido D. Ramiro II, um rei cristão que, em viagem por outras terras, conheceu a moura Sara, irmã de Alboazar, emir do Castelo de Gaia. Completamente apaixonado pela beleza da moura, raptou-a para si. Ao ser informado do rapto de sua irmã, Alboazar por sua vez raptou a esposa de D. Ramiro, D. Urraca.
Ferido em seus brios, D. Ramiro recrutou em Viseu alguns bons guerreiros para o secundar na empreitada de penetrar dissimuladamente no castelo de Alboazar, enquanto estes o aguardavam nas vizinhanças. Desse modo, aguardou um momento em que Alboazar se ausentou à caça, logrando penetrar no castelo, onde encontrou D. Urraca. Esta, ciente da traição do marido, não só se recusou a acompanhá-lo como, decidida a vingar-se do marido infiel, tendo Alboazar regressado da caça, denunciou-o ao seu raptor. Assim capturado, D. Ramiro, foi sentenciado à morte. No dia e hora aprazados para a execução, o condenado pediu, como último desejo, para tocar a sua buzina. Era este o sinal combinado com os seus homens para atacarem o castelo. Ao completar o sexto toque, os homens de Viseu cercaram o castelo, incendiando-o e matando Alboazar.
[editar] Ligações externas
- Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
- Instituto Português de Arqueologia
- Muralhas e Portas Antigas da Cidade de Viseu (Pesquisa de Património / IPPAR)