Dona Beja
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Ninguém poderia fazer a história de Pains, silenciando o nome de D. Anna Jacintha de São José, ou Dona Beja, como ficou este apelido gravado nas crônicas do Triângulo Mineiro. Nas narrações dos acontecimentos ou fatos sociais e políticos, dignos de memória, ocorridos na vida pregressa de Araxá, lá está o nome de Dona Beja.
Se Araxá e inúmeras outras cidades têm-na como benfeitora, devem a Pains o direito de situá-la como filha em uma das suas páginas históricas.
Na fonte de água radioativa da estância do Barreiro do Araxá, denominada Dona Beja, está o busto da painense.
Sem a intervenção de Dona Beja, talvez os antigos julgados de Desemboque e Araxá não teriam separados da capitania e jurisdição de Goiás e o Triângulo não seria Mineiro.
- “O caso é que, correndo o ano de 1815, achava-se em Araxá, o ouvidor geral da Comarca, Dr. Joaquim Inácio Silveira da Mota. Estando ele a palestrar, uma tarde, em frente de certa casa vizinha da Matriz, viu passar, a cavalo, a jovem Anna Jacintha de São José, conhecida pelo apelido de Beja. Contava quinze anos e era já mulher feita. O ouvidor geral ficou fascinado pelos seus encantos. Desejou-a e fê-la raptar por seus lacaios e naquela mesma noite a violou.
De volta a Araxá, por volta de 1817, redescobre nas nossas águas minerais a fonte de vigor. Adquiriu a "Chacará do Jatobá", que fica próxima a cidade e fonte de águas, construindo ali o seu espaço para os encontros e as festas que gostava de fazer, recebendo,neste local as mais altas autoridades da época e desempenhando um papel político dos mais significativos.
- A família de Beja nada podia fazer, salvo queixar-se ao governador de Goiás, o que foi feito. Ora o governador era inimigo do ouvidor geral, e, assim, este último, para sair do embaraço que se achava, recorreu a um expediente astucioso, que deu o melhor resultado: intercedeu junto de Dom João VI para que os julgados de Araxá e Desemboque, como ardentemente desejam os mineiros, passassem para Minas onde seu julgamento não teria maior importância. E o Triângulo, sem mais delongas, passou da Capitania de Goiás para a das Minas Gerais. Eduardo Frieiro”.
Dona Beja mudou-se mais tarde de Araxá para a Vila de Bagagem, Estrela do Sul, onde faleceu aos setenta e quatro anos de idade.
Em seu testamento, feito em 1870, ela disse o seguinte: “Em nome de Deus, amém. Eu, Anna Jacintha de São José, nascida na localidade de Pains, desta Província de Minas Gerais, filha natural de Maria Bernardo dos Santos, já falecida, faço o meu testamento e disposição de última vontade, pela maneira seguinte: etc.”
É bom lembrar que apesar do lado leviano de sua vida, ela era respeitadora de todos os padrões sociais, e por isso foi e ainda é admirada e invejada por muita gente. O Solar que foi construído por ela, na década de 1940, foi adquirido pelo jornalista Assis Chateaubriand e foi transformado em museu regional, o Museu Regional Dona Beja.