Francisco Júlio de Caldas Aulete
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Nascimento | 1826 Lisboa, Portugal |
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Falecimento | 23 de Maio de 1878 Lisboa |
Nacionalidade | Portuguesa |
Ocupação | professor, lexicógrafo e político |
Francisco Júlio de Caldas Aulete (Lisboa, 1826 — Lisboa, 23 de Maio de 1878) foi um professor, lexicógrafo e político português, autor de diversos livros didácticos e iniciador do Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa.
Filho de Francisca da Conceição Caldas e de Francisco José Aulete, contador do Tribunal da Relação de Lisboa, Caldas Aulete dedicou-se ao ensino, tendo sido professor da Escola Normal Primária de Marvila, da Escola Académica e do Liceu Nacional de Lisboa. Escreveu diversas obras de carácter didáctico destinadas a servir de manuais escolares, entre as quais a Cartilha Nacional, método para aprender simultaneamente a ler, a escrever, a ortografar e desenhar, (1873) e a Selecta Nacional, curso prático de literatura portuguesa em três volumes: Literatura (1975); Oratória (1875); e Poesia (1877).
Também escreveu uma Gramática Nacional (Curso Elementar) (1864), a qual por recomendação, entre outros, de António Feliciano de Castilho, foi aprovada pelo Conselho Geral de Instrução Pública, a 27 de Dezembro de 1864, como de uso obrigatório, por um período mínimo de 3 anos, nas escolas públicas de ensino primário de todo o país, com exclusão de qualquer outra. A obra ia na sua terceira edição, quando por portaria do Ministério do Reino, datada de 20 de Outubro de 1868, foi prorrogado o seu uso obrigatório nas escolas. Teve pelo menos uma nova edição em 1875.
Organizou a Enciclopédia das Escolas Primárias, juntamente com José Maria Latino Coelho (1869), obra que teve grande divulgação pelas escolas de Portugal e Brasil.
Além das obras citadas, Caldas Aulete escreveu vários cadernos para exercícios caligráficos, complementos da Cartilha Nacional e outros opúsculos.
Para além da escrita de trabalhos didácticos, Caldas Aulete foi o iniciador do Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa, cuja primeira edição apareceu em 1881. Este dicionário, que ainda hoje é editado sob o seu nome, é um dos melhores da língua portuguesa, mas Caldas Aulete compôs apenas uma pequena parte da monumental obra, já que quando faleceu estava apenas concluída a letra A. Face ao desaparecimento do autor, a obra foi completada por António Lopes dos Santos Valente (1839-1896), o qual manteve o plano original gizado por Caldas Aulete.
Foi deputado às Cortes eleito pelo círculo de São Tomé e Príncipe, nas legislaturas de 1869/1870, 1879, 1870/1871 e parte da de 1872. Não teve participação relevante nos trabalhos parlamentares.
Morreu em Lisboa a 23 de Maio de 1878, solteiro e com 52 anos de idade. Foi um dos criticados por Antero de Quental no seu opúsculo Bom Senso e Bom Gosto.
[editar] Referências
- GIACOMINI, Iliada Giacomini, O discurso do Dicionário contemporâneo da língua portuguesa, de Caldas Aulete: de 1881 até a atualidade in Revista Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL, Ano 4, n.º 6, Março de 2006 [1].
- MÓNICA, Maria Filomena (coordenadora), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), Colecção Parlamento, Assembleia da República, Lisboa, 2004 (vol. I, pag. 231).
[editar] Ligações externas
- Caldas Aulete
- O discurso do Dicionário contemporâneo da língua portuguesa de Caldas Aulete
- Análise Discursiva dos Prefácios das duas Primeiras Edições Portuguesas do Dicionário de Caldas Aulete
- Lexikon der Romanistichen Liguistik - 5.3.3 Diccionario contemporaneo Caldas Aulete (pag. 14)