Castelo de Sobroso
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O Castelo de Sobroso localiza-se no município de Mondariz, comarca de O Condado, Província de Ponte Vedra, na comunidade autônoma da Galiza, na Espanha.
Em posição dominante sobre o monte Landín, este castelo desempenhou um importante papel nas lutas regionais da Galiza, ao final da Idade Média. Estratégicamente, controlava as comunicações entre o interior, a cidade de Tui e o mar, razão pela qual a sua paróquia se denominou San Martiño da Portela até ao início do século XX: porta de entrada da diocese de Tui. Integrava, junto com o Castelo de Sotomayor, o Castelo de Tebra, a Torre de Formelos (Crecente), a defesa da Terra de Toroño (Toronium).
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[editar] História
[editar] Antecedentes
Acredita-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonte a um castro pré-histórico.
As origens do castelo, entretanto, remontam à Reconquista cristã da península Ibérica, sendo o seu nome atribuído à abundante vegetação de sobreiros que caracteriza a região. A notícia mais antiga a seu respeito dá conta de que, no século X, o futuro Bermudo II de Leão (985-999) se refugiou nesta fortificação durante a Batalha da Portela de Arenas (983) (hoje Vilasobroso), quando as suas forças venceram as de Ramiro III de Leão. Por volta de 997 foi conquistado e saqueado pelas forças de Almançor que naquele ano conquistaram Compostela.
No ano de 1095 os Condes da Galiza, Da. Urraca e D. Raimundo de Borgonha, doaram o senhorio de Sobroso ao bispo de Tui, Aderico. De acordo com o manuscrito da História Compostelana, em 1117 a mesma Da. Urraca, após o seu segundo matrimônio com Afonso I de Aragão, encontrava-se neste castelo quando sofreu um cerco que lhe foi imposto pelas forças do Conde D. Pedro e da Infanta D. Teresa de Portugal, partidários do filhos de D. Urraca, Afonso. De acordo com a tradição, a rainha D. Urraca conseguiu fugir para Compostela através de uma passagem subterrânea que ligava o castelo até à ribeira de Tea. Com a morte de sua rainha, os nobres galegos proclamaram, neste castelo, como rei da Galiza, a seu filho Afonso, mais tarde coroado imperador da Hispânia como Afonso VII de Leão e Castela em 1135.
Em 1190 o rei Fernando II de Leão nomeou tenens do castelo a Pedro Muniz. Neste mesmo ano, surge, ligado ao castelo, o nome de uma importante família, os Sobroso ou Soberoso.
No século XIV, em 1368, os domínios do castelo encontram-se em mãos de D. Álvaro Pires de Castro (irmão mais velho de Inês de Castro), membro da poderosa linhagem dos Castro, e representante, na Galiza, de Pedro I de Castela, o Cruel (tendo, após a derrota do monarca, refugiado-se em Portugal e recebendo em troca os condados de Arraiolos e de Viana da Foz do Lima das mãos de Fernando I de Portugal). Após a derrota deste monarca, Henrique II de Trastâmara, concedeu o castelo e seus domínios, em 1379, a seu colaborador Pedro Ruiz Sarmiento, adiantado-mor da Galiza e Senhor de Ribadavia.
De acordo com uma tradição local, neste castelo se celebraram as bodas do rei D. Dinis de Portugal com D. Isabel, filha de Pedro III de Aragão.
[editar] Da Revolta Irmandiña ao século XVIII
No século XV o castelo esteve envolvido no enfrentamento entre as famílias Sarmiento e Sotomayor, vindo a ser ocupado por doze anos por Alvaro Paez de Sotomayor até à chamada Revuelta Irmandiña (1467-1469), verdadeira guerra civil que destruiu em boa parte o castelo (juntamente com outros cento e trinta na região da Galiza). Alguns anos mais tarde, em meio a uma profunda crise política e social, Pedro Alvarez de Sotomayor, Conde de Caminha, popularmente conhecido à época por Pedro Madruga, conquistou as ruínas do castelo, ordenando a sua reconstrução, quando principiou a adquirir a atual conformação. Entre 1477 e 1478, estando Pedro Madruga prisioneiro em Benavente, o Castelo de Sobroso foi reconquistado pelas forças dos Sarmiento. Livre, Pedro Madruga, sitiou a fortificação com um contingente de 5.000 soldados de infantaria e 1.000 cavaleiros, fazendo erguer uma fortificação nas proximidades, no cimo da Picaraña e tomando como prisioneiro a Diego García Sarmiento, senhor de Sobroso. O castelo, entretanto, conseguiu resistir, e este Diego García Sarmiento conseguiu, em 1497, a vila de Salvatierra, que era propriedade dos Sotomayor, unindo na mesma casa o condado de Salvaterra e o marquesado de Sobroso. A este senhor credita-se o término das obras de reconstrução do castelo.
Em 1613, o rei Filipe III de Espanha nomeou como conde de Salvatierra a Diego Sarmiento de Sotomayor, Senhor de Sobroso e Mendoza. Finalmente, em 1625, Filipe IV de Espanha outorgou aos Sarmiento o título de Marqueses de Vilasobroso. O castelo manteve-se, dessa forma, até ao século XVIII, cabeça de uma ampla jurisdição. A partir de então, face aos avanços da pirobalística, perdeu o seu papel defensivo, vindo a cair em abandono.
[editar] Do século XX aos nossos dias
No século XX, as suas ruínas foram adquiridas por um particular, Alejo Carrera Muñoz, que lhe procedeu a obras de restauro às próprias expensas. Encontra-se protegido pela declaração genérica do Decreto de 22 de abril de 1949, e pela Lei 16/1985 acerca do Patrimônio Histórico Espanhol.
Mais recentemente, em 1981, o imóvel foi adquirido pela municipalidade de Ponteareas, que lhe promoveu nova e abrangente campanha de restauração, sendo transformado em um museu etnográfico e parque natural. O castelo está aberto de 3ª feira a Domingo, das 10:00 às 13:00 horas e, após a Sesta, das 16:00 às 19:00 horas.
[editar] Características
O castelo, de linhas robustas e austeras, em estilo renascentista, apresenta três corpos principais. Dois, simétricos e separados por um estreito passadiço, sem coberta, são destinados a habitações e salões; o terceiro constitui-se na Torre de Menagem. O conjunto é envolvido por uma muralha ameada, reforçada por cubelos circulares, rasgada pelo portão principal no setor Sul. Neste lado, acedida por uma rampa abobadada a partir do Portão, abre-se uma ampla praça de armas, onde, a Norte, se ergue uma capela, de planta retangular, em estilo românico.
A muralha exterior apresenta planta ovalada no setor Norte, acompanhando o primitivo traçado medieval. Nos demais troços, entretanto, adota o formato poligonal, correspondendo ao traçado de sua reconstrução no século XV.
A Torre de Menagem, com treze metros de altura, ergue-se a Oeste, defendendo o único flanco onde o castelo é dominado por maiores alturas. Apresenta planta retangular, com muros de cerca de um metro e meio de espessura, coroados por ameias e guaritas cilíndricas nos vértices.
O corpo residencial apresenta planta no formato poligonal irregular, dividido internamente em dois pavimentos. No pavimento inferior rasgam-se troneiras para a defesa, localizando-se o Corpo da Guarda. No pavimento intermediário destaca-se o Salão Nobre, com janelas abrindo-se para o Oeste, e a área residencial. O topo de seus muros é percorrido por um adarve.
O Portão de Armas é encimado pelas armas dos Sarmiento, senhores tradicionais do castelo, e dos Valladares, aparentados com eles.
[editar] Bibliografia
- CARRERES, Sarthou. Castillos de España. Madrid: Espasa-Calpe, S.A., 1952. 572p. fotos, tabelas.
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