Xironga
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A Língua Ronga ou xiRonga originou idiomas como o zulo da África do Sul (RSA), suázi (xi-suáti) da Suazilândia e o changane (xi-tchangane) da RSA e de Moçambique que passaram a ser línguas a partir de formas dialectais do xi-ronga no início, há séculos atrás nas grandes migrações. Datas anteriores ao século XVI (1500).
Vide Excerto de livro de João Craveirinha MOÇAMBIQUE - Feitiços, Cobras e Lagartos (editado em Lisboa e Moçambique)
II De Terra dos Mpfumos a Lourenço Marques Cidade-Capital
Os primeiros habitantes conhecidos de há mais de mil anos da Baía da Lagoa ou de Maputo teriam sido os Khoi e os San. Séculos depois, do Norte, chegaram os Rongas - o povo do Sol Nascente, há pelo menos setecentos anos ou mais. Provinham de um dos muitos fluxos migratórios dos Grandes Lagos. Através do Congo, Angola, Zâmbia e do rio Zambeze teriam chegado ao sul na actual Baía de Maputo. Há dados históricos que os ligam com os antigos baCongo e os Gógóne, antepassados comuns dos actuais Bitongas de Inhambane. O nome "Ronga" em língua xi-ronga (pronuncia-se aproximadamente xi-djonga), deriva de vuDjonga - Oriente, onde "nasce" o Sol. Os nomes Dzonga, Ronga, Tsonga, Êmatonga são corruptelas de Djonga. Da criação da cidade de Lourenço Marques, na terra dos rongas e da dinastia Mpfumo escreveu-se: "(...) Quem diria que tudo começaria assim do nada, e continuou em nada, até nascerem numa só, por milagre de esforço, as três pujantes cidades unidas - a branca, a negra, a industrial - em que a vida pulsa hoje aqui, nascida da humildade com que há cinco séculos, quase, cada um ofereceu o que tinha, a panela trocada pelas quatro vacas e três galinhas pela tira de pano velho". O historiador de Moçambique, Alexandre Lobato, escreveu assim no seu livro "Xilunguíne", referindo-se à chegada em 1502 à Terra dos Mpfumos (Grande Maputo) do navegador português Luís Fernandes e seus homens, perdidos com uma caravela rumo à índia onde "pela boca larga da baía" depararam com "uma grande foz maior que a do Tejo e entraram por ela dentro cousa de dez léguas". Esses portugueses encontraram a caminho da índia, na costa oriental de África, mais a sul, um povo africano cuja característica marcante... era a cor da pele ser muito clara e a falarem por estalos com a língua (diques)... Estes homens "negros" são mais brancos que mulatos, homens corpulentos, e se desformam com as unturas de almagra e carvão e cinza, com que ordinariamente trazem o rosto pintado", (in História Trágico Marítima, descrição do português Francisco Vaz de Almada, sobrevivente do naufrágio da nau S. João Baptista no dia 30 de Setembro de 1622 entre a costa do Natal - terra de 33 "grãos" e Ponta do Ouro). Aos "Hotentotes" quase praticamente desaparecidos: ..."Também lhes sucederam os Banto que os escorraçaram das terras, os caçaram à lançada, os massacraram com as afiadas machadinhas das ímpis..." (in Xilunguíne, de Alexandre Lobato). O mesmo Lobato fazia alusão às invasões vindas do norte, dos grandes Lagos, foz do rio Nilo Branco, de que nos falaria outro grande historiador de Moçambique, Caetano Montez quando referia que: "(...) a gente do Tembe foi invasora como também o foi a de Mpfumo (...) Maputo é um ramo da dinastia do Tembe: Matola é um ramo da dinastia de Mpfumo (...)" Caetano Montez, ainda na sua obra "Os Indígenas de Moçambique", diz (...) A casa da Matola (Matsolo) provinha de In-lha-rúti (Mpfumo), o invasor das terras da margem norte da baía, vindo com a sua gente de Psatine (Suazilândia). Seus filhos Mpfumo, Polana, Massinga e nuá-Intiuane repartiram as terras como vassalos do pai. Nuá-Intiuane (deu Tivane) ficou com as que denominariam Matola. A In-lha-rúti sucedeu Mpfumo, como soberano. Cremos que foi na guerra da coligação dos régulos contra Mpfumo, em 1719 (...) que a soberania deste terminou. Os vencedores dividiram entre si as terras do vencido e Matola ficou com as marginais da baía até à Ponta Vermelha (...).
João Craveirinha (o autor da pesquisa)