Theatro da Paz
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O Theatro Nossa Senhora da Paz, ou simplesmente Theatro da Paz, localiza-se na cidade de Belém, no estado do Pará, no Brasil.
É um teatro-monumento, de linhas neoclássicas e foi construído no período áureo da exploração da borracha na Amazônia. É considerada como a mais importante casa de cultura do Norte do Brasil. O seu nome foi sugerido pelo bispo D. Macedo Costa. Também foi ele quem lançou a pedra fundamental do edifício, em 3 de março de 1869.
O autor do projeto foi o engenheiro José Libúrcio Pereira Magalhães, com pequenas alterações introduzidas pela repartição de Obras Públicas. Ficou pronto em 1874 mas, devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi aberto e o teatro só foi inaugurado após a sua conclusão.
Com o drama de A. D’annery, As duas órfãs, no dia 16 de fevereiro de 1878, o Theatro da Paz foi aberto ao público, ao som da orquestra sinfônica do maestro Francisco Libânio Collas. O espetáculo foi organizado pela companhia de Vicente Pontes de Oliveira. O contrato durou cinco anos e fez de Vicente Oliveira o encarregado pela iluminação, decoração, coreografia e acessórios de cena no teatro, além de organizador das apresentações que se seguiram.
O Theatro da Paz, no dizer de Leandro Tocantins, "é um monumento neoclássico por excelência". Nas laterais, pátios cercados de colunas, escadas que dão acesso à Praça da República. Poltronas de palhinhas, (não de almofada), seguindo o formato de ferradura. No saguão, há dois bustos talhados em mármore de carrara: José de Alencar e Gonçalves Dias, introdutores do indianismo no Brasil. No salão nobre, ao lado de espelhos de cristal, estão os bustos dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão.
Ali Carlos Gomes encenou sua mais famosa ópera, O Guarani, e a bailarina russa, Ana Pavlova, passou com suas sapatilhas. O decorador desse cenário privilegiado foi o italiano Domenico de Angelis que, posteriormente, decorou o Teatro Amazonas, de Manaus. Ele foi também o autor do belo painel representando os deuses gregos, Apolo e Diana, no cenário amazônico que fica no teto da sala de espetáculos. Dele também era o teto de jover, perdido por causa de uma infiltração. Esse teto foi repintado em 1960 por outro artista italiano, Armando Baloni.
Em 1904, durante o governo de Augusto Montenegro, quatro bustos representando a música, a poesia, a comédia e a tragédia passaram a fazer parte desse cenário. Durante a Era da Borracha, as mais famosas companhias líricas se apresentaram ali. O teatro viveu momentos inesquecíveis porém, com o declínio da borracha, o Theatro da Paz passou por maus momentos. Sem apresentações, estava quase sempre fechado, e as restaurações não eram suficientes para lhe garantir um bom funcionamento.
Após as pinturas de Armando Baloni, em 1960, o governador Aurélio do Carmo continuou com a restauração até que, em 1965, no governo Jarbas Passarinho, o teatro, enfim, estava totalmente recuperado e pronto para se devolvido ao público paraense. Conserva-se a grafia theatro como figura em seu frontão.
Ao ser tombado pelo IPHAN, o presidente do instituto selecionou o teatro como uma das "14 mais belas jóias do patrimônio brasileiro".
[editar] Ver também
Lista dos principais teatros do Brasil
[editar] Ligações externas
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