História da Igreja Católica
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A história da Igreja Católica Apostólica Romana cobre um período de aproximadamente dois mil anos, sendo uma das mais antigas instituições religiosas em atividade, influindo o mundo em aspectos político e sócio-cultural.
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[editar] História e influência
O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Durante três séculos o império pagão perseguiu os cristãos, porque a sua religião representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano.
No decurso do século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no tempo de Teodósio, em religião oficial do Estado. O imperador romano, por esta época, convocou as grandes assembléias dos bispos, a saber os concílios, e a Igreja pôde então dar início à organizaçao de suas estruturas territoriais.
A igreja cristã na região do Mediterraneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antióquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. As antigas comunidades cristãs foram, então sucedidas pela "sociedade cristã", o cristianismo passou de religião das minorias para então se tornar em religião das multidões. Com a decadência do Império os bispos pouco a pouco foram assumindo funções civis de caráter supletivo e a escolha do bispo passou a ser mais por escolha do clero do que pela pequena comunidade, segundo as fórmulas antigas. Por essa época não foram poucas as intervenções dos nobres e imperadores nas suas escolhas. Figuras expressivas da vida civil foram alçadas à condição de bispo, exemplo disto foram Santo Ambrósio, governador da Alta Itália que passou a bispo de Milão; São Paulino de Nola, ex-consul e Sidônio Apolinário, genro do imperador Avito e senhor do Sul das Gálias, que foi eleito bispo de Clermont-Ferrand.
Antes de findar o século IV o Concílio de Niceia (325) e o I de Constantinopla, em respostas às heresias arianas e ao macedonismo, formularam a doutrina da Trindade que ficou fixada no seu conjunto no "Símbolo niceno-constantinopolitano". Por esta época colocou-se a questão da humanidade e divindade de Cristo que ficou definida no Concílio de Éfeso, convocado pelo imperador Teodósio II, que afirmou que Cristo é "perfeito Deus e perfeito homem" e definiu Maria como "Aquela que portou Deus" (Theotokos) em resposta à heresia Nestoriana (do bispo Nestório) que lhe atribuia apenas o Christotokos (Aquela que portou Cristo). Esta posição depois foi reafirmada no Concílio de Calcedônia (451) e no III de Constantinopla (680).
[editar] Padres da Igreja
Os tempos de ouro da Patrística foram os séculos IV e V, embora possa se entender que se estenda até o século VII a chamada "idade dos Padres". Os principais Pais do Oriente foram: Eusébio de Cesareia, Santo Atanásio, Basílio de Cesareia, Gregório de NisamGregório Nazianzo, São João Crisóstomo e São Cirilo de Alexandria.
Os principais pais ocidentais são: Santo Agostinho, autor das "Confissões", obra prima da literatura universal e Santo Ambrósio, Eusébio Jerônimo, dálmata, conhecido como São Jerônimo que traduziu a Bíblia diretamente do hebraico, aramaico e grego para o latim. Esta versão é a célebre Vulgata, cuja autenticidade foi declara pelo Concílio de Trento. Outros pais que se destacaram foram São Leão Magno e Gregório Magno, este um romano com vistas para a Idade Média, as suas obras "os Morais e os Diálogos" serão lidas pelos intelectuais da Idade Média, e o canto "gregoriano" permanece vivo até os dias de hoje. Santo Isidoro de Sevilha, falecido em 636, é considerado o último dos grandes padres ocidentais.
Por esta época surgiu o monaquismo. Em busca de uma imitação de Cristo mais perfeita, com o tempo o ascetismo cristão tomou formas de afastamento do mundo. Santo Antão é figura-símbolo do monaquismo dos primeiros séculos, mas a sua figura central é São Bento que com os seus dois primeiros mosteiros e a sua famosa "Regra" serviu de referência típica para o monaquismo, principalmente no Ocidente. Na idade média os mosteiros prestarão relevantes serviços e, denre outros, tiveram a grande missão de conservar a cultura antiga.
[editar] Novos horizontes
O Cristianismo, com a invasão dos bárbaros germânicos vindos do oriente a partir do século IV, teve nova oportunidade de expansão. Missionários levaram a mensagem do cristianismo para além das divisas antigas do Império. Winifrid, monge inglês que mudou o nome para Bonifácio, foi o grande apóstolo da Alemanha. Nos primórdios do século VI, no Natal, Clodoveu, rei dos francos recebeu o batismo católico, com ele todo o reino se converteu ao catolicismo. A França é considerada a filha primogênita da Igreja. Os magiares se converteram acompanhando o seu rei Santo Estevão, os boêmios com São Wenceslau e os poloneses com o batizado do duque Miezko.
O mediterrâneo, no entanto, por volta do século VII se viu às voltas com o avanço muçulmano, estes dominaram o norte da África, parte do Oriente que havia sido cristianizado e, no ano 711, desembarcaram na Península Ibérica para conquistar com velocidade surpreendente o reino visigodo cristão e, a final, serem detidos em Poitiers por Carlos Martel. Por oito séculos os muçulmanos permaneceram na península. O relacionamento, neste período, entre mulçumanos e cristãos conheceu altos e baixos, desde inimigos em combates históricos a aliados episódicos contra vizinhos desafetos, uns e outros suportaram a dominação do adversário de forma desigual e inconstante, segundo as circunstâncias históricas de cada século. No início da Idade Média o Cristianismo sofreu ingerências dos senhores feudais, tanto nos bispados como na Santa sé o que levou a vida eclesiástica a sofrer uma decadência moral.
[editar] O Grande Cisma
O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que, segundo a tradição, morreu naquela cidade, e é considerado por ela o primeiro papa) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado.
Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que separou a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Católica Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Grande Cisma.
[editar] Apogeu medieval
Os séculos XII e XIII formaram o apogeu clássico da cristandade medieval. Inocêncio III é a figura que desponta nesta época. Por este tempo reuniram-se concílios, surgiram as universidades, foram fundadas ordens religiosas de renome a de São Francisco de Assis, de São Domingos de Gusmão, São Bruno fundou a Cartuxa, e São Bernardo de Claraval, talvez o personagem europeu de maior importância do século XII, deu notável impulso à Ordem de Cister. Surgiram ainda a Ordem das Mercês (Mercedários), os ermitãos de Santo Agostinho, e a Ordem do Carmo dentre outras. Surge também a "Escolástica", é o tempo de Alberto Magno e de Tomás de Aquino e a Suma Teológica e do primeiro "código canônico" (Decretais de Gregório IX), recompilado por São Raimundo de Penhaforte. Surge a Universidade de Paris que tem os seu privilégios reconhecidos pelo Papa Inocêncio III, em 1215, e as de Oxford, Bolonha e Salamanca.
São deste tempo as Cruzadas, os Templários, os Hospitalários, as Ordens Militares e o "cavaleiro cristão" de que El Cid, Rodrigo Dias de Vivar, é o clássico modelo. O Papa concedia graças especiais aos combatentes, e nelas se envolveram príncipes e povos numa demonstração supranacional do elevado grau de seriedade da reliosidade da época. Também na Espanha durante a reconquista os papas decretaram algumas cruzadas contra o Islã, a mais famosa delas foi a batalha de Navas de Tolosa em 1212.
A decadência das cruzadas coincide com o movimento das missões. São Francisco de Assis consegue com o anúncio do Evangelho e o exemplo da caridade o que as armas não alcançaram. Aparecem as grandes Catedrais, a arte medieval é praticamente exclusiva arte sacra e têm lugar as grandes peregrinações com sentido penitencial: ao Santo Sepulcro, aos túmulos de São Pedro e São Paulo, em Roma e a Santiago de Compostela.
[editar] Crise e cisma do Ocidente
Correntes religiosas orientais antigas lançaram as suas raízes no sul da França e norte da Itália. sugiram os "Valdenses" e os "Albigenses" ou "Cátaros", baldados os esforços religiosos-diplomáticos de Inocêncio III este acabou por convocar uma vitoriosa cruzada chefiada por Simão de Monforte. Para continuar a luta contra esta heresia foi criada a Inquisição exclusivamente para a defesa da fé e o combate à heresia. Nesta empresa rivalizaram o poder eclesiástico e o poder civil. Em 1232 foi criada por Gregório IX a Inquisição Pontifícia, tanto o sistema penal da época como o processo inquisitorial tiveram graves defeitos que ferem a sensibilidade do homem moderno.
A Baixa Idade Média viu ainda surgir novas doutrinas heréticas, notadamente as de Wiclef, professor em Oxford, cujas proposiçõe são consideradas como percursoras dos reformadores do séc. XVI e tiveram forte influência sobre João Huss, cujas idéias tiveram ampla aceitação na Boêmia.
Os violentos conflitos entre o Imperador Frederico II e os Papas Gregório IX e Inocêncio IV forma a causa imediata da crise do sistema doutrinal e político da cristandade no século XIII, o que gerou um ressentimento dos povos germânicos contra o papado e que se constitui em causa remota que favoreceu a revolução luterana. Os conflitos entre Bonifácio VIII e Felipe, o Belo, rei da França culminaram com o Papa prisioneiro em Avinhão. Em Avinhão o ponfitificado afrancesou-se, foram franceses o sete papas que ali se sucederam bem como a grande maioria dos cardeais. Apareceu um nacionalismo eclesiástico que desperta o interesse dos soberanos do ocidente. Em 1377 Gregório XI retorna a Sé Apostólica para Roma, no episódio sobressai a figura de Santa Catarina de Sena.
A crise culmina no Cisma do Ocidente, os reis europeus se filiam a diferentes papas segundo as sua conveniências, chegam a ter até tres papas, cada um pretendendo ser a única cabeça legítima da Igreja. O Cisma deixou a cristandade dividida e perplexa, até mesmo entre os santos: Santa Catarina de Sena manteve-se ao lado de Urbano VI enquanto São Vicente Ferrer posicionou-se a favor de do Papa de Avinhão, Clemente VII. O Cisma do Ocidente vai de 1378 a 1417 e só vai terminar com a eleição de Martinho V, quando a Igreja recupera a sua unidade.
[editar] A transição, Constantinopla e a América
Vários fatores contraditórios coincidem na passagem da Idade Média para a Idade Moderna. As elites são alimentaas por nova visão, agora antropocêntrica e por um certo retorno à antiguidade pagã. Os papas do renascimento são mais voltados para as artes e letras, tornaram-se verdadeiros mecenas, e para o governo temporal que para os problemas disciplinares eclesiásticos e para as questões espirituais.
Constantinopla cai no dia 29 de maio de 1453 na mão dos turcos otomanos, perde-se o Império Cristão do Oriente que começava a se reaproximar depois do "Grande Cisma", a descoberta das Américas abre caminho para o Evangelho chegar a novos povos. É deste tempo, o Humanismo, culto exagerado dos clássicos latinos e gregos, defendia uma piedade erudita, o maior dos humanistas foi Desidério Erasmo (1466 - 1536), de Rotterdam, amigo de Thomas Morus, mas na verdade, com exceção da Espanha, onde o humanismo apoiado pelo Cardeal Cisneros foi sinceramente cristão, a herança religiosa dos humanistas pouco contribuiu para uma esperada reforma da Igreja.
A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das denominações Protestantes.
[editar] A Reforma Protestante
A Reforma protestante teve Martinho Lutero por autor. Antigo frade da ordem dos agostinhos o seu êxito reformador deveu-se não só aos seus talentos de líder, mas em boa medida a uma série de fatores históricos que se conjugaram de modo oportuno. Favoreceram o progresso da Luteranismo fatores de ordem política, como os conflitos entre papas e imperadores, os nacionalismos eclesiásticos, a decadência moral do clero na Alemanha e um império germânico fragmentado em pequenos principados e cidades-estado, mas, principalmente o ressentimento contra Roma que tinha tomado forma nos Gravamina Nationis Germanicae, a lista de querelas e agravos da nação germânica contra a Cúria Romana.
Lutero, de sua vez, construiu um sistema doutrinal-religioso em franca divergência com a tradição da igreja. Segundo Lutero as obras do homem de nada servem para a salvação, nem os sacramentos na sua maioria, nem o Papado. A Igreja não seria nem depositária e nem interprete da Revelação. A Sagrada Escritura apenas e exclusivamente seria a única fonte da Revelação segundo a interpretação livre que cada fiel em particular lhe desse, diretamente inspirado por Deus. Publicou as 97 teses contra a Teologia escolástica e as 95 sobre as indulgências. Em 1521 foi excomungado
As doutrinas de Lutero tiveram boa aceitação: a supressão do celibato eclesiástico por não poucos sacerdotes, numa época de baixo nível moral do clero; a supressão dos votos monásticos por comunidades religiosas pouco piedosas. A doutrina de que "a fé sem as obras justifica" resolveu o problema de muitas pessoas conscientes de seus pecados mas desejosos de garantir a própria salvação. A possibilidade de se apropriar dos bens da Igreja atiçou a cobiça dos príncipes..
Em 1546, quando Lutero faleceu, a Reforma já abrangia mais da metade da Alemanha. Em 1545 tem início o Concílio de Trento que o imperador Carlos V, defensor da fé católica, vinha reclamando havia quinze anos. O conflito entre o imperador e os nobres e príncipes protestantes terminou em luta armada. Pelo tratado de paz de Augsburgo ficou concedida a igualdade de direitos entre católicos e protestantes e ficou estabelecido que aos príncipes caberia decidir a confissão a ser seguida no respectivo território.
Zuínglio na Suíça, João Calvino na França, levaram adiante idéias similares às de Lutero, o Calvinismo vai arraigar-se com profunidade em Genebra, entre os franceses (huguenotes), na Escócia com John Knox e de uma forma mais amena nos Estados Unidos com a Igreja Presbitriana. Na Inglaterra, Henrique VIII, por razões pessoais - não obtendo a invalidação de seu casamento - se faz Cabeça suprema da igreja no país - provocando o martírio de Tomás Moro, Lord Chanceler do Rei, de John Fisher, Bispo de Rochester, e de alguns sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos.
[editar] A Reforma Católica
Em 1534 foi eleito Papa, aos 66 anos de idade, o Cardeal Alexandre Farnesio, que tomou o nome de Paulo III. Vencendo a resistência de reis e príncipes convocou o Concílio Ecumênico de Trento, que inicia os trabalhos as 13 de dezembro de 1545 e só concluiu em 1563. O Concílo determinou um novo vigor para a Igreja Católica. Medidas reformadoras foram impostas em todos os países que se mantiveram fiéis a Roma, cessando o avanço do protestantismo. Em alguns cantões Suíços, na Baviera, na Polônia, na Áustria consolidou-se o catolicismo. O avanço português e espanhol nas Américas, África e Ásia serviu de veículo à expansão da fé católica. Acabaram-se os pregadores de indulgências de "meia-pataca", puseram-se fim aos abusos e ao relaxamento moral do clero, restabelecendo uma displina eclesiástica. A Vulgata de São Jerônimo seria a tradução latina oficial da Igreja, todas as teses protestantes foram discutidas e revigorou-se as doutrinas dogmática, moral e sacramental católicas.
Ao mesmo tempo São Pedro Canísio no Leste Europeu, São Carlos Borromeu como secretário de Estado de Pio IV, e mais tarde arcebispo de Milão, aplicando a Reforma Católica ao norte da Itália, foram elementos importantes para o cumprimento dos decretos do Concílio de Trento. Santa Teresa de Jesus, reformadora do Carmelo; Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ao falecer deixara ordenados mais de mil jesuítas evangelizando o mundo inteiro, e São Felipe de Neri, foram três gigantes da Reforma Católica. São Thomas Morus morreria decapitado por se manter fiel à fé, juntamente com John Fisher e o Venerável Edmundo Campion. São Francisco Xavier levaria o Evangelho ao Extremo Oriente, à Índia, Malaia, Japão e à China, São Francisco de Borja repararia com folga os erros de sua família, São Roberto Belarmino daria novo impulso á teologia. A Igreja ressurgia da crise fortalecida e revigorada doutrinal e espiritualmente.
[editar] Período do Iluminismo
Depois do Concílio de Trento e da Guerra dos Trinta Anos, a Igreja Católica perdeu parte de hegemonia seja política. Isto não só pela perda de territórios para nações protestantes, mas também devido à intervenção por parte do Estado nos assuntos eclesiástico (como o Galicanismo).
Passou também por uma crise cultural tentando conciliar o racionalismo tomista com o novo racionalismo iluminista. Começando com o julgamento de Galileu e coma polêmica dos Jansenistas a Igreja Católica sofreu uma disassociação com o racionalismo. Filósofos iluministas, como Voltaire, eram geralmente deístas e extremamente anticlericais.
Todavia, a Igreja Católica passou por um progresso na área missionária. Jesuítas fundaram missões nos Novos Continentes.
O conflito entre o Iluminismo e a Igreja Católica teve seu auge no final do século XVIII, com a supressão dos Jesuítas e com a Revolução Francesa, cuja Constituição Civil do Clero aboliu muitos privilégios do clero e reduziu a hierarquia francesa a funcionários públicos, sujeitos às interpretações teológicas e intervenções do Estado revolucionário.
[editar] Século XIX
Em 1802 em consequência de uma Concordata entre Napoleão e a Cúria Romana, a Igreja Católica recuperou sua autonomia e legalidade na França.
As ondas do nacionalismo fez que o Papado percebesse que estava perdendo terreno poder temporal, assim passou a garantir sua hegemonia espiritual sobre toda a Igreja Católica: em 1847 foi estabelecido um Patriarcado Latino de facto em Jerusalém (desde as cruzadas o título era somente honorário); a hierarquia católica foi re-estabelecida e reconhecida pelo parlmento na Inglaterra, com a adesão de teólogos anglicanos como os Cardeais John Henry Newman e Edward Manning; em 1869 o Papa Pio IX convoca o Concílio Vaticano I, onde afirma o poder papal afirmando a doutrina de Infalibilidade papal, o que fez alguns teólogos fundarem a Igreja Vétero-Católica.
Também inicia a era da Doutrina Social da Igreja Católica, com a publicação da bula Rerum Novarum pelo papa Leão XIII.
[editar] Século XX
Por ocasião do Concílio Vaticano II,que foi a "Primavera da Igreja", brotaram novos rebentos saídos da Santa Sé, por clérigos que insatisfeitos pelos rumos do catolicismo - divididos entre progressistas e conservadores -uns formaram o grupo Católicos Tradicionalistas, chefiados pelo Arcebispo Marcel Lefebvre e outros pelo Arcebispo André Barbeau.
O movimento carismático foi criado com o intúito de tentar reestabelecer a quantidade de fieis do Catolicismo, baseando-se nas estratégias utilizadas por outras denominações, e reutilização de práticas antigas da Igreja, porém, sem nunca deixar de ser verdadeiramente Católico Apostólico Romano.
[editar] Século XXI
A Igreja Católica entrou para o novo milênio afirmando valores tradicionais e conservadores, e o papel da Igreja na sociedade. Em 2005 foi eleito papa o teólogo alemão Joseph Ratzinger, dando continuidade a essa visão.
[editar] Bibliografia
- COLLANTES, Justo. A fé católica: documentos do Magistério da Igreja: das origens aos nossos dias / organização, introdução e notas de Justo Collantes; tradução cotejada com os originais em latim e grego. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 2003. ISBN 85-88711-03-6
- CRISTIANI, Mons. Brève histoire des hérèsies. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1962.
- CROCKER III, H. W. Triumph - The Power and the Glory of the Catholic Church: A 2,000-Year History (Prima Publishing, 2001). ISBN 0761529241
- DANIEL-ROPS, Henri. História da Igreja de Cristo. Tradução de Henrique Ruas; revisão de Emérico da Gama - São Paulo: Quadrante, 2006 (coleção). ISBN 85-7465-002-1
- DUFFY, Eamon. Saints and Sinners: A History of the Popes (Yale Nota Bene, 2002). ISBN 0300091656
- ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993. ISBN: 972-51-0046-8
- WOHL, Louis de. Fundada sobre a rocha, história breve da Igreja. Tradução de Teresa Jalles - Lisboa: Rei do Livros, 1993.