Plano Cruzado
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O Plano Cruzado foi um plano econômico lançado pelo governo brasileiro em 1 de março de 1986 por Dilson Funaro, ministro da Fazenda do governo do presidente José Sarney. O plano mudou a moeda do Brasil de Cruzeiro para o Cruzado e posteriormente para o Cruzado Novo, congelou os preços e salários e criou o gatilho salarial e o seguro-desemprego.
Além de Dilson Funaro, outros renomados economistas participaram da elaboração do Plano, como João Sayad, Edmar Bacha e Pérsio Arida No dia 16 de janeiro, João Sayad, Persio Arida, André Lara Resende, e Jorge Murad votaram a favor do Plano, Dilson Funaro, João Manuel Cardoso de Mello, Luiz Gonzaga Beluzzo, Andrea Calabi e Edmar Bacha acharam-no muito arriscado. Com a recusa da maioria, João Sayad, Ministro do Planejamento, afirmou que iria pedir demissão. Jorge Murad, convenceu o seu sogro Jose Sarney, a adotar o Plano Cruzado apesar da resistência de Sayad. Adotado, o plano logo conquistou maciço apoio popular e isto fez com que mesmo seus opositores iniciais o apoiassem com entusiasmo. Todos reinvidicavam para si a paternidade do plano, enquanto fez sucesso, mas quando mostrou suas deficiências, seus "pais" passaram a rejeitar o "filho"
O objetivo principal do plano foi a contenção da inflação através do congelamento de preços. O congelamento era fiscalizado por cidadãos que ostentavam, orgulhosos, bottoms de fiscal do Sarney, depredavam estabelecimentos que aumentavam preços e chegaram a dar voz de prisão a gerentes de supermercados.
Infelizmente, esqueceram de trazer os preços a prazo de 30, 60, 90 dias ao seu valor presente a vista, o que aumentou a inflação em vez de diminui-la. Produtos vendidos com 30 dias tiveram um aumento real de 17%, a inflação media da época embutida nos preços. Produtos como brinquedos que tinham 180 dias de prazo, tiveram aumentos reais de 256%, para a alegria dos donos de fabricas de brinquedos como, por exemplo a Trol [1], de propriedade do ministro da fazenda. Persio Arida se desculpou do erro, alegando que estudara Argentina e Israel que estavam em hiper-inflação, quando não há mais vendas a prazo. Este erro desorganizou os preços relativos da economia, paralisou a produção por um mes e criou a famosa briga pelo "deflator" onde fornecedores e clientes discutiam novos preços reais. Errar a formula do congelamento foi fatal num plano que visava o congelamento de preços.
O plano começou a fracassar devido aos preços relativos da economia estarem desequilibrados. Por não equalizarem o valor presente dos preços, muitos produtores que corrigiam seus preços entre dia 1 a 15 dos mes, ficaram com o preço tabelado abaixo da rentabilidade desejada ou até mesmo abaixo do custo de produção o que inviabilizava a venda dos produtos para o consumo. Empresas que haviam reajustados seus preços nos dias anteriores ao plano, sairam beneficiadas.
Além disso o próprio abono concedido ao salário mínimo e ao funcionalismo público levou a um aumento do consumo o que pressionou ainda mais a demanda. Para equilibrar oferta e demanda as empresas não podiam aumentar os preços.
Outros fatores que levaram ao fracasso do plano foi a falta de medidas econômicas por parte do governo para controlar os gastos públicos. O congelamento da taxa de câmbio levou o país a perder uma parcela considerável de reservas internacionais e os juros da economia estavam negativos o que desestimulava a poupança e pressionava o consumo.
Algumas medidas corretivas ainda foram tomadas pelo governo , mas a proximidade das eleições fez com que o governo evitasse tomar medidas impopulares para garantir a sobrevivência do Plano. Após as eleições o governo implementou medidas impopulares como o descongelamento de preços com o intuito de tentar salvar o Cruzado. Entretanto no ano seguinte a inflação se reacelerou num patamar maior que o anterior ao plano.
O Plano Cruzado foi considerado por muitos oposicionistas, entre eles Delfim Netto, um plano inconsistente, populista e eleitoreiro visando apenas a aumentar a popularidade do governo e seus candidatos para vencer a eleição.
A maioria dos candidatos do governo venceu as eleições. Foi até cunhada , por isso tudo, a expressão "Estelionato Eleitoral". Verdade ou não o plano naufragou de vez logo após as eleições. A população se revoltou com quebra-quebra de ônibus e invasão de supermercados. A hiperinflação se instalou, sem controle.
Entre os maiores favorecidos do plano estão os candidatos que foram eleitos pelo PMDB de São Paulo , governador e 2 senadores, respectivamente: Orestes Quércia e Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso.
O Plano Cruzado não apenas fracassou, como dele resultaram muitas ações judiciais até hoje em curso, na qual cidadãos comuns exigem de bancos e governos a reparação das perdas monetárias sofridas.